A medicina moderna tem feito avanços significativos nos tratamentos contra o câncer ao longo das últimas décadas. Mas todas as terapias ainda enfrentam um desafio crucial: como atacar as células cancerosas sem danificar as células saudáveis.
Soluções imperfeitas levam a efeitos colaterais: cirurgia e radiação podem danificar tecidos saudáveis próximos, enquanto a quimioterapia pode atacar indiscriminadamente células de crescimento rápido, danificando folículos capilares saudáveis e o revestimento do estômago, por exemplo.
Uma abordagem alternativa envolve recrutar um aliado surpreendente: as bactérias. Algumas espécies de bactérias não conseguem sobreviver na presença de oxigênio. Elas vivem em ambientes com baixo teor de oxigênio, como nas profundezas do solo ou no fundo de lagos. Essas bactérias, chamadas de anaeróbicas, geralmente são incapazes de infectar tecidos saudáveis, nos quais o oxigênio é abundante.
Em contrapartida, os tumores cancerosos não são bem oxigenados. À medida que os tumores crescem, seu suprimento sanguíneo torna-se anormal e ineficiente, levando à formação de regiões com baixo nível de oxigênio no seu interior. Esse ambiente com baixo teor de oxigênio oferece um nicho único para uma infecção por bactérias anaeróbicas.
Para empregar essas bactérias em terapias contra o câncer, os médicos poderiam injetar no paciente esporos dormentes de uma bactéria anaeróbica.
