Elton Alisson, de Niterói | Agência FAPESP
Na atmosfera terrestre, uma rede complexa de corredores invisíveis a olho nu transporta diariamente calor e umidade das regiões tropicais para os confins da Antártica, alterando drasticamente o clima do continente gelado. Conhecidos como “rios atmosféricos”, esses sistemas estão sendo apontados por pesquisadores brasileiros como um dos principais motores do degelo no setor oeste do continente e na Península Antártica.
A aceleração desse processo pode causar uma significativa elevação do nível global dos oceanos e impactar diretamente o Brasil. O país está entre os mais vulneráveis a esse cenário: das 136 cidades portuárias no mundo com população acima de 1 milhão de pessoas expostas à subida do mar, dez estão em território brasileiro.
O alerta foi feito por Heitor Evangelista da Silva, professor da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e coordenador de um projeto de monitoramento de rios atmosféricos da Antártica. O pesquisador apresentou os dados em palestra durante a 78ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).
Com o tema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”, o evento acontece até este sábado (1.ago.2026) no campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense, em Niterói.
