Por Frances Jones
Uma lagarta de mariposa apontada pelo agronegócio como uma das pragas mais agressivas a atingir plantações de soja, algodão e milho pode abrigar em seu intestino fungos e bactérias capazes de degradar isopor. Artigo publicado em maio na revista BMC Microbiology por pesquisadores de duas universidades públicas paulistas apresentou os resultados do estudo que investigou a microbiota intestinal da lagarta-helicoverpa (Helicoverpa armigera), popularmente conhecida como lagarta-do-algodão, lagarta-da-espiga-do-milho ou lagarta-da-vagem, e o seu papel na degradação desse tipo de plástico.
O estudo foi liderado por cientistas do Laboratório de Biologia Molecular da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que tem uma linha de pesquisa já bem consolidada sobre bactérias presentes nos intestinos de insetos, em colaboração com pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro. Eles identificaram 4 fungos presentes no intestino de lagartas da espécie Helicoverpa armigera e demonstraram o potencial de cada um deles de degradar o poliestireno expandido (nome técnico do isopor), um polímero derivado do petróleo, que não se degrada naturalmente no ambiente -e por isso é uma fonte de poluição plástica.
