Por mais de uma década, o líder indiano Narendra Modi pareceu politicamente inatacável, presidindo um governo que superou adversários, dominou o discurso público e reduziu o espaço para a dissidência na maior democracia do mundo.
Mas no último fim de semana, um movimento de protesto impulsionado pela internet e liderado por jovens, com apenas algumas semanas de existência, desferiu um golpe que nenhum dos partidos políticos tradicionais de oposição havia conseguido: forçaram seu governo a recuar.
Por dias, dezenas de milhares de manifestantes da Geração Z inundaram as ruas de Nova Délhi, liderados por um movimento satírico chamado “Cockroach Janta Party”, ou “Movimento das Baratas”, para exigir responsabilização pelo vazamento de uma prova de ingresso universitário que, segundo eles, roubou de milhões de estudantes uma chance justa de construir seu futuro.
Na mira deles estava o ministro da Educação e aliado de confiança de Modi, Dharmendra Pradhan, sob cuja gestão ocorreu o vazamento.
A renúncia de Pradhan no sábado (25) foi recebida com entusiasmo, e não pouca surpresa, no Jantar Mantar, o observatório do século XVIII na capital que se tornara o colorido e animado quartel-general do movimento de protesto.
Multidões tomaram as ruas, dançando, cantando e agitando a bandeira nacional até tarde da noite, celebrando o que consideraram uma vitória pela responsabilização e pela ação coletiva.
