A Dívida Bruta do Governo Geral subiu para 81,9% do PIB em junho, equivalente a R$ 10,4 trilhões, segundo o relatório de Estatísticas Fiscais divulgado pelo Banco Central.
Os dados, embora não surpreendentes para o mercado, reforçam um cenário de crescente preocupação entre investidores e analistas.
Para Lucinda Pinto, analista e editora de Economia do CNN Money, os números impactam mesmo sem causar surpresa.
“A gente viu a dívida bruta subir para 81,9% no mês de junho. É muita coisa”, afirmou.
Segundo ela, já há instituições revisando para cima a estimativa da relação dívida/PIB para o fim do ano, com projeções superiores a 83% do PIB.
Há ainda especulações, fora das projeções oficiais do governo, de que essa relação possa se aproximar de 100% caso o crescimento econômico permaneça fraco diante do peso dos juros.
O cenário fiscal deteriorado tem levado o mercado a exigir prêmios de risco cada vez mais elevados.
As NTN-Bs, títulos públicos atrelados à inflação, passaram a pagar juros reais de 8% ao ano, o que retroalimenta o custo da dívida pública e pressiona também o mercado corporativo.
“Esse cenário fiscal complicado joga para cima o juro longo e também está atrapalhando muito a vida das empresas que precisam se refinanciar ou captar recursos para investimento”, explicou Lucinda Pinto.
Empresas ligadas a setores estratégicos, como data centers, setor elétrico e infraestrutura, ainda conseguem atrair investidores.
