A cúpula nacional do PP (Partido Progressistas) comunicou à senadora Tereza Cristina (PP-MS) que o partido se manterá neutro na disputa presidencial de 2026, recusando o convite feito por Flávio Bolsonaro para que ela integrasse sua chapa como candidata a vice-presidente. Segundo o analista de Política da CNN Pedro Venceslau ao Hora H, a decisão representa uma vitória política para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cujos operadores políticos atuaram ativamente para garantir essa neutralidade.
O convite que “faltou combinar com o partido”
Conforme Pedro Venceslau, houve um certo jogo de cena em torno do episódio.
Tereza Cristina, inicialmente resistente ao convite, acabou aceitando o chamado feito diretamente por Flávio Bolsonaro. No entanto, a articulação não seguiu o caminho institucional esperado.
“Em vez de passar primeiro pelo partido para depois fazer o convite para a Tereza Cristina, o Flávio falou com a Tereza Cristina, criando assim um fato político”, explicou o analista.
Após o aceite da senadora, ainda seria necessário o aval do PP e, em seguida, do União Brasil, partido com o qual o PP forma uma federação. Como os dois partidos compõem uma federação, nenhuma decisão unilateral poderia ser tomada sem a concordância de ambos.
O União Brasil chegou a realizar uma consulta aos diretórios estaduais como gesto de deferência a Flávio, mas a decisão pela neutralidade, segundo Venceslau, já havia sido tomada anteriormente.
