Após uma recuperação nas cotações em junho e julho, o mercado de leite deve entrar em uma trajetória de desaceleração no segundo semestre.
A avaliação é do pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Paulo do Carmo Martins, que aponta uma combinação de fatores para pressionar os preços pagos ao produtor: avanço da produção, menor poder de compra das famílias, aumento do endividamento dos consumidores e incertezas climáticas.
Segundo Martins, a valorização registrada no início do segundo semestre já era esperada pelo comportamento sazonal da atividade. Durante a entressafra, período em que a oferta de leite diminui, os preços tradicionalmente reagem.
“O comportamento de junho e julho era esperado. Agora, a tendência é de queda. A questão é saber em que velocidade isso vai acontecer”, afirma Martins.
A intensidade da redução das cotações, no entanto, dependerá principalmente da capacidade de consumo das famílias brasileiras. Para o pesquisador, o cenário econômico deve limitar a demanda por produtos lácteos nos próximos meses.
“O endividamento das famílias continua elevado e a renda começa a mostrar sinais de enfraquecimento. Quando o orçamento aperta, o consumidor passa a fazer escolhas dentro do supermercado”, explica.
Derivados mais caros sentem primeiro a retração
O impacto da perda de renda tende a ser mais forte sobre produtos de maior valor agregado, como queijos especiais, iogurtes, sobremesas lácteas e manteiga.
