As declarações enfáticas na quarta-feira (29) do presidente do Fed (Federal Reserve), Kevin Warsh, de que a inflação seria reduzida, mas sem sinalizar disposição para elevar os juros, provocaram uma forte onda de vendas de títulos que pode forçá-lo a fazer uma escolha difícil: desafiar o desejo do presidente Donald Trump por uma política monetária mais flexível ou enfrentar pares do Fed determinados a torná-la mais restritiva.
Para complicar ainda mais a situação, Warsh deu a entender que poderia tentar alterar o parâmetro utilizado pelo Fed para medir o sucesso na contenção da inflação, definido há anos como um aumento de 2% em relação ao ano anterior no Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal, o índice PCE.
“Esse é o nosso número, vamos mantê-lo”, disse Warsh em uma coletiva de imprensa após o término de uma reunião de política monetária de dois dias, antes de acrescentar: “Quem sabe, depois de janeiro do ano que vem, o que poderemos dizer sobre a estratégia. Suspeito que os grupos de trabalho possam ter algo a acrescentar.”
Warsh selecionou a dedo, em maio, 15 especialistas externos para apresentar recomendações até o final de 2026 sobre a condução da política monetária do Fed, incluindo sua estrutura de inflação.
Warsh disse na quarta-feira que entrará em contato com eles nas próximas semanas e poderá compartilhar quaisquer ideias que estejam “prontas para o grande palco” na conferência global de banqueiros centrais do Fed em Jackson Hole, no Wyoming.
