A indústria brasileira de moagem de trigo enfrenta um cenário de margens pressionadas diante da combinação entre custos elevados da matéria-prima, dificuldade de repassar reajustes e menor rentabilidade dos coprodutos da moagem.
Com uma safra brasileira menor e um mercado internacional mais disputado, os moinhos devem operar com menor espaço para recompor margens, enquanto a cadeia de alimentos busca distribuir o impacto dos custos ao longo dos próximos meses.
“O que os moinhos estão sofrendo? Com a rentabilidade. A gente vê uma erosão de resultados constante e ano a ano”, afirmou o presidente do Sindustrigo (Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo), Max Piermartiri, que também é diretor-presidente do Moinho Anaconda, durante reunião da Câmara Setorial do Trigo.
O presidente-executivo da Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria do Trigo), Rubens Barbosa, afirmou à CNN que o setor está preocupado com o cenário para uma safra “particularmente difícil” em razão da instabilidade do mercado.
Barbosa ressaltou que não há risco de desabastecimento de farinha de trigo. De acordo com ele, a principal preocupação está no aumento dos custos de produção da farinha, que pressiona a rentabilidade dos moinhos e já leva empresas do setor a adotar medidas de racionalização da produção e de redução de despesas.
O desafio da indústria está no intervalo entre o custo de aquisição do trigo e a capacidade de repassar esse aumento para o mercado de farinha.
