Todo mundo conhece a história da Branca de Neve. Ela estava em paz. Reino em paz. Madrasta em paz. Espelho em paz. Estava tudo certo.
Até que um dia a madrasta chega para o espelho e pergunta: espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?
O espelho responde: existe. É a Branca de Neve.
Aí ela vira bruxa, contrata um caçador, quebra o espelho, espalha o terror pelo reino e manda matar a menina. Tudo isso porque ouviu uma coisa que não queria ouvir.
Costumamos ler essa fábula como uma história sobre vaidade. Mas há uma leitura mais interessante, e mais incômoda, escondida nela. A madrasta não enlouquece apenas porque é vaidosa. Enlouquece porque não suporta uma informação que contraria aquilo que ela já havia decidido ser verdade. O espelho não a traiu. Apenas parou de concordar com ela.
E é aí que a fábula deixa de falar de rainhas e passa a falar de nós.
Porque todos temos o nosso espelho. Ele aparece na forma de um sócio que discorda do plano, de um funcionário que aponta uma falha que ninguém quis ver, de um número que contradiz a nossa expectativa, de um cliente que diz não. Às vezes aparece na forma de alguém que pensa o oposto de nós sobre política, sobre negócios, sobre a vida, e que, mesmo assim, diz algo que faz sentido.
A fábula, no entanto, guarda uma pergunta mais dura, que só aparece quando paramos de olhar para a madrasta e começamos a olhar para nós.
Diante de uma informação que contraria a nossa posição, costumamos reagir de duas maneiras.
