O Banco do Japão alertou nesta sexta-feira (31), pela primeira vez, que a inflação subjacente pode ultrapassar sua meta e afirmou que as futuras discussões sobre política monetária se concentrarão nos riscos de alta dos preços, sinalizando a possibilidade de um aumento da taxa de juros já em setembro.
Na reunião de política monetária que terminou nesta sexta-feira, o Banco do Japão manteve a taxa de juros de curto prazo em 1%, como amplamente esperado após um aumento para o nível mais alto em 31 anos no mês passado.
Esses sinais hawkish surgiram após a suposta intervenção do governo nos mercados de Nova York na quinta-feira com compra de ienes, o que ressaltou a preocupação de Tóquio com os impactos negativos que o iene fraco está causando às famílias por meio do aumento dos custos de importação.
“Como a inflação subjacente está se aproximando de nossa meta de 2%, devemos estar mais atentos do que nunca aos riscos de alta dos preços. Debateremos nossa política monetária a partir de nossa próxima reunião tendo esse ponto em mente”, disse o presidente do banco central, Kazuo Ueda, em coletiva de imprensa, referindo-se à reunião de setembro.
“Em um momento em que há o risco de a inflação subjacente ultrapassar a meta, adiar as medidas necessárias poderia concretizar esse risco e prejudicar a economia”, disse ele, alertando que os riscos de a inflação superar a meta são “grandes demais para serem ignorados”.
