Pesquisadores descobriram anéis concêntricos gigantes na atmosfera de Vênus, mas passaram os 16 anos seguintes tentando provar que os achados eram um erro do equipamento. Agora, como não conseguiram, publicaram os resultados no The Planetary Science Journal.
O instrumento que revelou o invisível
O equipamento usado naquela noite era o Extreme Polarimeter (ExPo), instalado no Telescópio William Herschel nas Ilhas Canárias. Segundo o Science Alert, diferente de uma câmera comum, o ExPo registrava apenas luz linearmente polarizada, suprimindo a luz comum e revelando estruturas atmosféricas sutis que de outra forma permaneceriam invisíveis.
Quando a luz atravessa gás e poeira, ela se polariza. É esse processo que permitiu ao instrumento capturar algo que nenhum outro telescópio havia registrado antes.
Os anéis apareceram em três dos seis filtros usados na observação de 36 minutos, feita em maio de 2010 enquanto o astrônomo Michiel Rodenhuis esperava o céu escurecer para suas observações planejadas. Nos outros três filtros, captados mais tarde, quando Vênus estava mais baixo no horizonte e as condições haviam piorado, o padrão não era visível.
Por que levou 16 anos para publicar
A primeira suspeita foi a óbvia: um artefato do próprio instrumento. Os anéis eram concêntricos em torno da região mais brilhante do disco, exatamente onde um erro de digitalização do detector poderia aparecer.
Os pesquisadores testaram cada explicação possível.
