O diretor do Festival de Cinema de Veneza, Alberto Barbera, defendeu na quinta-feira (30) a programação deste ano, afirmando que a ausência dos grandes estúdios de Hollywood e a escassez de diretoras refletem problemas mais amplos do setor, e não suas próprias escolhas.
Os comentários vêm à tona uma semana após Veneza divulgar uma programação praticamente sem filmes norte-americanos produzidos por grandes estúdios e com apenas uma diretora entre os 20 títulos que disputam o prêmio principal, o Leão de Ouro, o que gerou preocupações quanto à qualidade da programação.
Em artigo publicado no jornal italiano La Stampa, Barbera afirmou que seria “difícil, se não errado”, culpar Veneza pela ausência dos estúdios norte-americanos, argumentando que Hollywood passa por um período de turbulência marcado pelo aumento dos custos, queda na bilheteria e pela crescente concorrência das plataformas de streaming.
“O único grande filme que poderíamos realisticamente ter esperado era ‘Digger’, que a Warner Bros decidiu lançar apostando no fator surpresa, contornando todos os festivais de outono”, escreveu ele, referindo-se a um filme dirigido por Alejandro G. Iñárritu e estrelado por Tom Cruise.
“Simplesmente não havia outros títulos, ou eles não estavam prontos a tempo para as nossas datas”, disse Barbera.
