O retorno do El Niño deve provocar efeitos bastante distintos entre os setores da economia brasileira. Um relatório da XP Investimentos mostra que, enquanto alguns segmentos podem ser beneficiados pelas chuvas acima da média no Sul do país, outros enfrentam riscos de perdas de produtividade, aumento de custos e pressão sobre os resultados.
Eis a íntegra do relatório (PDF - 3 MB).
Além dos impactos operacionais, a XP afirmou que investidores devem passar a considerar cada vez mais a capacidade de adaptação das empresas às mudanças climáticas.
As companhias com infraestrutura mais resiliente, cadeias de suprimentos diversificadas e planejamento para eventos extremos tendem a apresentar vantagem competitiva.
AGRO
O agronegócio é o setor mais exposto aos efeitos do fenômeno. Segundo a XP, os impactos serão diferentes conforme a cultura e a região do país.
Os maiores riscos concentram-se no Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e em partes do Centro-Oeste, onde o El Niño costuma reduzir o volume de chuvas durante fases importantes da safra.
Já o Rio Grande do Sul pode ser beneficiado pelo aumento das precipitações.
A soja tende a apresentar maior resiliência no cenário nacional, enquanto o milho é a cultura considerada mais vulnerável.
O milho safrinha depende fortemente das chuvas e apresenta as maiores perdas históricas de produtividade durante eventos intensos de El Niño.
A cana-de-açúcar também está entre as commodities mais sensíveis.
