Durante mais de duas décadas de observações, pesquisadores identificaram um comportamento incomum entre duas espécies de cetáceos: orcas (Orcinus orca) evitam encontros com baleias-piloto-de-barbatana-longa (Globicephala melas), mesmo sem registros de ataques diretos entre elas.
A descoberta foi analisada por cientistas de diferentes instituições, incluindo uma equipe liderada pela bióloga marinha Anna Selbmann, do Centro de Ciência e Aprendizado de Sudurnes, na Islândia. O estudo publicado em janeiro deste ano na revista Science Reports e indicou que os sons emitidos pelas baleias-piloto já são suficientes para alterar o comportamento das orcas.
Os registros foram reunidos em regiões da Islândia e em outros pontos onde as duas espécies foram observadas. A razão pela qual um predador considerado dominante recua diante de um animal menor ainda permanece sem explicação definitiva, embora pesquisadores avaliem algumas hipóteses.
O mistério por trás do recuo das orcas diante das baleias-piloto
A relação entre as duas espécies começou a chamar a atenção da comunidade científica após observações realizadas a partir de 2012. Na época, pesquisadores perceberam que sons de orcas reproduzidos no ambiente natural atraíam baleias-piloto, comportamento que indicava uma forte resposta aos sinais acústicos de outro cetáceo.
Dois anos depois, uma análise conduzida por cientistas ligados ao Conselho Nacional de Pesquisa da Espanha trouxe outro dado inesperado.
