O aumento do custo de produção já chegou ao campo. Produtores de soja começaram a cortar investimentos na safra 2026/27 para enfrentar a alta dos fertilizantes, do diesel e dos juros. Em propriedades paulistas, a redução da adubação chega a 30%, movimento que reflete um cenário de margens apertadas para a principal cultura agrícola do país.
“É um ano de sobrevivência. O custo de produção está muito alto”, afirma Rogério Ferrari, diretor da Aprosoja São Paulo e produtor rural em Santa Cruz do Rio Pardo (SP).
Ferrari cultiva cerca de 3,5 mil hectares e afirma que decidiu reduzir entre 25% e 30% os investimentos em adubação para a próxima safra. “Não é um ano para colocar dinheiro para sobrar. É melhor tirar um pouquinho da sobra do que colocar mais dinheiro em risco”, diz.
Segundo o produtor, o fertilizante voltou a ser o principal fator de pressão sobre os custos. Enquanto sementes e defensivos registram pouca variação em relação ao ciclo anterior, o adubo e o diesel elevaram significativamente o desembolso necessário para iniciar o plantio.
“O adubo é o que mais impacta. O diesel também pesa bastante”, afirma ele dizendo que o sentimento é de muitos associados da Aprosoja e não particularmente dele.
Pelas contas de Ferrari, produzir soja nesta temporada custará o equivalente a cerca de dez sacas por hectare a mais do que no ciclo anterior. “Se considerar uma produtividade média de 65 sacas por hectare, o aumento representa mais de 10% no custo“, afirma.
