A PF (Polícia Federal) detalhou, em relatórios enviados ao STF (Supremo Tribunal Federal), uma relação de proximidade pessoal e interlocução política entre o senador e ex-líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA), e executivos ligados ao Banco Master.
Segundo a investigação, Wagner mantinha uma relação de confiança com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio da instituição financeira, conhecido como “Guga”. A PF sustenta que esse vínculo também aproximou o parlamentar de Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, e criou canais para tratar de pautas legislativas e operações de interesse do Master.
Os documentos foram tornados públicos pelo ministro André Mendonça, relator do caso, na quinta-feira (30). Wagner foi alvo de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o senador recebeu vantagens econômicas de gestores do Master em possível contrapartida à atuação parlamentar em temas de interesse da instituição.
Entre elas, estão as tratativas da compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões para o senador, que teria seguido o mesmo esquema usado na aquisição de imóveis dados como propina ao ex-presidente do BRB (Banco Regional de Brasília), Paulo Henrique Costa.
Rastreamento do celular
Antes da operação em 18 de junho, Mendonça autorizou a PF a acessar registros telefônicos e monitorar, durante dez dias, a localização aproximada do celular de Jaques Wagner por meio das antenas das operadoras.
