Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o conflito entre Brasil e Paraguai, no final do século XIX, foi mais um ingrediente em uma semana turbulenta nas relações diplomáticas na América do Sul.
Em entrevista ao Hora H desta quinta-feira (30), a professora de Relações Internacionais da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Regiane Bressan explicou que o episódio expõe uma ferida histórica que ainda não foi completamente cicatrizada.
Bressan destacou que a Guerra do Paraguai foi um dos maiores conflitos da região e dizimou grande parte da população paraguaia, colocando o país numa situação de pobreza da qual nunca mais se recuperou plenamente.
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“Existe quase como uma dívida histórica do Brasil em relação à guerra do Paraguai e, claro, grandes assimetrias econômicas que perduram até hoje”, afirmou a professora.
A professora reconheceu que, apesar das tensões históricas, os dois países construíram ao longo das últimas décadas uma “relação de prosperidade e amizade”, sustentada por acordos de cooperação técnica, pelo Mercosul e pela usina de Itaipu.
“Quando o presidente acaba por cometer essa gafe, ocasiona um grande constrangimento diplomático na relação entre os dois países”, pontuou.
