O Brasil enfrenta neste momento as consequências do aquecimento acelerado das águas do Pacífico Equatorial que, segundo projeções do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), causará um El Niño muito forte no fim de 2026, com impactos diretos sobre a agricultura.
O alerta foi feito por Márcia Seabra, meteorologista e coordenadora-geral de Meteorologia Aplicada do Inmet, durante o painel sobre clima e agronegócio do evento Outlook Agro Brasil, realizado nesta 5ª feira (30.jul.2026) em Brasília. O encontro foi promovido pela ApexBrasil em parceria com o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária).
Segundo Seabra, até o dia 25 de julho, a anomalia de temperatura da superfície do mar na região monitorada, conhecida como Niño 3.4, já registrava valores próximos a 2 e 2,5 graus acima da média. Para efeito de comparação, o El Niño de 2023 e 2024, que produziu os 2 anos mais quentes já registrados no Brasil, foi classificado como moderado e atingiu um pico de apenas 1,4 grau acima da média.
POR QUE ESTE EL NIÑO É DIFERENTE
O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial. Essa diferença de temperatura altera a circulação dos ventos, inibindo a formação de nuvens em determinadas regiões. É esse mecanismo que explica o padrão historicamente associado ao fenômeno no Brasil: excesso de chuva no Sul e déficit hídrico nas regiões Norte e Nordeste.
