Pesquisadores identificaram que grupos responsáveis pela circulação de informações falsas passaram a abandonar a simples rejeição ao conhecimento científico e adotaram estratégias mais sofisticadas para dar aparência de legitimidade às suas afirmações.
O fenômeno foi analisado durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em Niterói (RJ), em julho de 2026, por integrantes do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia (INCT-CPCT).
A pesquisa mostra que conteúdos antivacina, teorias conspiratórias e falsas controvérsias utilizam referências científicas, especialistas alternativos e mecanismos das plataformas digitais para conquistar credibilidade, ampliar alcance e movimentar dinheiro.
A ciência usada como ferramenta de convencimento
Ao investigar a atuação de grupos antivacina no WhatsApp durante a pandemia de COVID-19, pesquisadores perceberam que muitas mensagens contrárias aos imunizantes apresentavam artigos científicos como suposta comprovação de suas teses. Parte das publicações citadas vinha de revistas de baixa qualidade, enquanto outras envolviam pesquisadores reconhecidos, mas eram usadas fora de contexto para sustentar conclusões falsas.
