A Amazônia pode ter abrigado uma população de 1,25 milhão a 3 milhões de pessoas entre os anos 100 e 300 d.C., muito antes da chegada dos europeus. A estimativa faz parte de um estudo publicado na quarta-feira (29) na revista científica Nature, que utilizou tecnologia de escaneamento a laser para revelar milhares de estruturas arqueológicas escondidas sob a vegetação.
Os pesquisadores afirmam que a descoberta reforça a ideia de que a região era ocupada por uma “civilização multicultural complexa”, capaz de construir grandes monumentos de terra e modificar a paisagem amazônica por séculos. A sociedade é pelos pesquisadores como povo “Aquiry”.
Como foi calculada a população?
Os cientistas cruzaram informações sobre a quantidade de estruturas, as datas obtidas por radiocarbono, o tamanho médio das construções e estimativas de quantas pessoas seriam necessárias para construir e manter esses locais.
Com base nesses dados, eles concluíram que, no auge dessa civilização, entre 100 e 300 d.C., a população da região variava entre 1,25 milhão e 3 milhões de habitantes. Considerando estruturas que ainda podem estar escondidas sob a floresta, esse número pode chegar a 3,8 milhões, segundo os cálculos do estudo.
O que isso muda?
Além de reescrever a história da ocupação humana da Amazônia, os pesquisadores afirmam que a descoberta pode mudar a forma como a ciência entende a própria floresta.
