O El Niño de 2026 deve provocar efeitos distintos entre as regiões brasileiras, com previsão de seca no Norte e Nordeste, aumento das chuvas no Sul e ondas de calor mais intensas no Sudeste e Centro-Oeste. Segundo modelos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, há 97% de probabilidade de o fenômeno climático se consolidar e 81% de chance de atingir a categoria “muito forte“, com pico de outubro a dezembro.
O fenômeno é provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, próximo às costas de Peru e Equador. Normalmente, essas águas são mais frias, enquanto a porção oeste do Pacífico, perto de Indonésia e Austrália, é mais quente. Quando esse padrão se inverte, a circulação da atmosfera é alterada, modificando a distribuição de ventos, nuvens e chuvas em diferentes partes do planeta.
Os efeitos podem potencializar eventos extremos. Na 4ª feira (29.jul.2026), por exemplo, ventos que superaram 100 km/h durante a passagem de uma frente fria nas regiões Sul e Sudeste provocaram 5 mortes, destruição e apagões em cidades. Três pessoas morreram em São Paulo e duas no Rio de Janeiro.
Segundo Guilherme Borges, meteorologista da Fieldpro, embora os ventos tenham sido provocados pela frente fria, o El Niño contribuiu para intensificar o fenômeno climático. “O El Niño potencializa o contraste térmico. E isso faz com que as chuvas fiquem mais concentradas e os ventos mais fortes”, afirmou ao Poder360.
