Pesquisadores identificaram centenas de estruturas arqueológicas ocultas sob a floresta amazônica e concluíram que uma antiga sociedade ocupou uma extensa região do atual sudoeste da Amazônia entre aproximadamente 600 a.C. e 850 d.C. A investigação indica que essa população construiu milhares de centros cerimoniais e reuniu, em seu auge, entre 1,25 milhão e 3 milhões de habitantes.
O estudo foi realizado por uma equipe internacional que empregou levantamentos aéreos com tecnologia LiDAR para mapear áreas cobertas pela vegetação. A análise revelou vestígios de uma ocupação muito mais ampla do que estimativas anteriores sugeriam, alterando a compreensão sobre a presença humana na floresta antes da colonização europeia.
Os resultados foram publicados na revista científica Nature na última quarta-feira (29) e apontam que a chamada civilização Aquiry transformou a paisagem amazônica ao longo de cerca de 1.500 anos por meio da construção de monumentos de terra, abertura de vias de circulação, agricultura e manejo de espécies vegetais.
Levantamento amplia dimensão da antiga ocupação amazônica
A pesquisa concentrou-se em uma área do sudoeste da Amazônia correspondente a menos de 3% de toda a Grande Amazônia. Mesmo assim, os sobrevoos permitiram identificar 432 estruturas de terra, das quais 396 ainda eram desconhecidas pelos pesquisadores.
