'Na prisão, descobri que presos e guardas éramos vítimas de uma cúpula que mantém Cuba sequestrada': o artista renomado que passou 5 anos encarcerado
WALTER FOJO/BBC
Luis Manuel Otero Alcántara caminha pelas ruas de Miami, no Estado americano da Flórida, com uma sensação estranha: ninguém o detém, nem o vigia.
O artista cubano de 38 anos é um dos principais dissidentes da ilha.
Ele começou recentemente sua vida no exílio, depois de cumprir no país uma sentença de cinco anos de prisão por desrespeito aos símbolos da pátria, desacato e distúrbios públicos.
Mas Otero Alcántara não se sentia realmente livre há muito mais tempo.
Ele foi levado em 2021 para a prisão de segurança máxima de Guanajay (a cerca de 30 km a oeste de Havana), mas já havia passado por anos de vigilância permanente, dezenas de prisões e noites de calabouço por suas manifestações artísticas contra o regime cubano.
Otero Alcántara é um dos fundadores do Movimento San Isidro, um coletivo de artistas e ativistas de oposição ao governo de Cuba. Ele transformou a arte da performance em arma para desafiar o poder.
Ele carregou por um mês a bandeira cubana como parte de uma de suas obras, criou o Museu da Dissidência e protagonizou greves de fome. Suas ações o transformaram na principal figura não partidária da oposição cubana e uma das maiores dores de cabeça do governo do presidente cubano, Miguel Díaz-Canel.
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