O homem que esfaqueou e deixou parcialmente cego o escritor Salman Rushdie no palco de um instituto de artes de Nova York em 2022 foi considerado culpado nesta quarta-feira (29) por acusações federais de terrorismo.
Hadi Matar, de 28 anos, foi condenado por tentar fornecer apoio material ao grupo libanês Hezbollah, apoiado pelo Irã e designado pelos EUA como organização terrorista, bem como por se envolver em terrorismo transnacional e fornecer apoio material a terroristas.
Um júri do Tribunal Distrital em Buffalo, Nova York, o considerou culpado em todas as acusações após deliberações de apenas duas horas, segundo um porta-voz da promotoria federal.
Rushdie, de 79 anos, vinha enfrentando ameaças de morte desde a publicação, em 1988, de seu romance “Os Versos Satânicos”. O aiatolá Ruhollah Khomeini, então líder supremo do Irã, denunciou o livro como blasfemo, o que levou a um apelo pela morte de Rushdie, um decreto conhecido como fatwa.
De acordo com as provas apresentadas no julgamento, Matar passou mais de um ano pesquisando a fatwa antes de decidir tentar cumprir o decreto com um ataque a Rushdie enquanto o autor discursava na Chautauqua Institution, em Mayville, Nova York.
Rushdie foi esfaqueado várias vezes na cabeça, no pescoço, no tronco e na mão esquerda, ficando cego do olho direito e sofrendo lesões em órgãos internos, o que exigiu cirurgia de emergência e meses de recuperação.
