O mercado de seguro rural pode registrar nova queda em 2026 e reduzir ainda mais a área agrícola protegida no Brasil, após a retração observada nos primeiros cinco meses do ano. Segundo o diretor de Seguro Rural da Mapfre, Fabio Damasceno, os dados da Susep (Superintendência de Seguros Privados) apontam recuo de 5% no mercado de seguros como um todo e de 15% no seguro agrícola no período. Na avaliação dele, o movimento pode levar o país a encerrar o ano com menos de 3% da área cultivada segurada.
“É uma preocupação a mais não só para o mercado, mas para o produtor em si, de uma redução ainda maior para este ano, de ficarmos abaixo dos 3% de área segurada”, disse, em entrevista ao CNN Agro News.
Damasceno defendeu o fortalecimento da política de subvenção ao prêmio do seguro rural e citou um estudo da FGV (Fundação Getulio Vargas) que compara o custo da prevenção com o da renegociação de dívidas após eventos climáticos extremos.
De acordo com ele, enquanto o governo aprovou recentemente cerca de R$ 100 bilhões para renegociação de dívidas de produtores, aproximadamente R$ 3,6 bilhões destinados à subvenção ao seguro rural teriam capacidade de proteger mais de R$ 100 bilhões em produção. “Como ferramenta, essa questão de alocação dessas verbas no seguro é uma coisa muito bem vista pelo mercado todo”, disse.
