De madrugada, na cozinha de sua padaria artesanal em Socorro, no interior de São Paulo, Tobias Alm Bueno enfrenta um desafio comum a milhares de microempreendedores individuais (MEIs) no Brasil: a falta de pessoal. Sozinho para criar receitas, precificar produtos e gerenciar o próprio negócio, o empresário passou a usar inteligência artificial (IA). O sistema calcula insumos e avisa quando comprar azeitonas para a próxima fornada de focaccias, por exemplo. E o caso do padeiro paulista não é isolado. Ele ilustra uma mudança nos pequenos negócios brasileiros: o uso da IA como infraestrutura de sobrevivência.
Se na padaria de Tobias a tecnologia assume o controle de estoque, no setor de tecnologia ela permite erguer empresas sem verbas para contratações. Foi o caso do empresário Ezequiel Vedana, que usou ferramentas de geração de código para criar o sistema da sua startup em poucos dias, sem precisar de desenvolvedores. Esse movimento reflete o avanço da IA agêntica (aquela capaz de executar tarefas). Na prática, essa tecnologia tem ocupado funções que o caixa do microempreendedor não consegue pagar.
Levantamentos do Sebrae, por exemplo, apontam que cerca de 70% dos pequenos negócios no Brasil já usam ferramentas digitais no dia a dia. Neste cenário, a automação de processos e do atendimento é a principal saída para compensar a falta de pessoal. Mas existe um limite. Sem estratégia e supervisão, o improviso digital pode gerar falhas na mesma velocidade que economiza recursos.
