Durante mais de um século, a teoria de Lamarck foi apresentada como uma ideia ultrapassada. Agora, novas descobertas indicam que alguns mecanismos defendidos pelo naturalista francês podem ajudar a explicar fenômenos que a teoria evolutiva tradicional não descreve completamente.
Em artigo publicado no The Conversation, Pim Edelaar, Professor Visitante da Divisão de Biodiversidade e Evolução na Universidade de Lund, argumenta que o Lamarckismo pode complementar, e não substituir, a seleção natural de Darwin.
Uma antiga ideia que ganhou novos argumentos
Proposta em 1809 pelo biólogo francês Jean-Baptiste Lamarck, a teoria defendia que características adquiridas durante a vida de um organismo poderiam ser transmitidas aos descendentes.
Por muito tempo, essa hipótese perdeu espaço na biologia. Um dos experimentos mais conhecidos nesse debate foi realizado pelo pesquisador alemão August Weismann, que removeu as caudas de ratos adultos por várias gerações para verificar se a alteração seria herdada pelos filhotes.
Como os descendentes continuaram nascendo com cauda, o resultado foi interpretado como uma evidência contra a ideia de que mudanças adquiridas durante a vida seriam transmitidas diretamente às próximas gerações.
O lamarckismo, tal como entendido na época, previa que a prole deveria nascer sem cauda; por isso, durante muitos anos, os livros didáticos de biologia apresentaram a teoria de Lamarck como uma hipótese categoricamente refutada.
