Quando eu tinha 20 anos, comecei a consumir tudo o que podia de cinema. Ainda não imaginava que um dia trabalharia com audiovisual, nem tinha essa pretensão. Apesar de cursar Jornalismo, meu caminho ainda parecia indefinido.
Foi nessa época que assisti a O Céu que nos protege (1990), de Bernardo Bertolucci, adaptação do romance homônimo do escritor norte-americano Paul Bowles. O filme acompanha um casal que, no contexto do pós-Segunda Guerra Mundial, tenta reconstruir uma relação já desgastada. Durante muito tempo, nunca consegui entender por que aquela história, tão distante da minha realidade, havia me afetado tanto.
Essa mesma sensação voltou ao assistir a Pequenas Criaturas, novo longa da cineasta Anne Pinheiro Guimarães, que estreou recentemente nos cinemas.
Ambientado em 1986, o filme acompanha Helena (Carolina Dieckmann), uma mulher que se muda para Brasília acompanhando o marido, transferido a trabalho. Pouco depois, ele parte para uma viagem internacional e ela se vê sozinha em uma cidade ainda em construção, distante da família e sem qualquer rede de apoio. Enquanto tenta reorganizar a própria vida, precisa lidar com um filho adolescente em conflito e uma menina de oito anos cuja sensibilidade faz com que enxergue o mundo de maneira muito particular.
A vida de Helena muda justamente quando o Brasil ainda reaprendia a viver a democracia, pouco depois do fim da Ditadura Militar.
