Pela primeira vez em 20 anos, o MDB decidiu adotar a neutralidade na disputa presidencial, não apoiando nenhum candidato à Presidência no primeiro turno. O movimento não é isolado: a Federação União Progressista e os partidos Podemos e Republicanos caminham na mesma direção, evidenciando uma mudança estratégica nas principais siglas do Centrão para as eleições deste ano.
Na prática, essas legendas liberam os diretórios estaduais para construírem alianças de acordo com as realidades locais. Em alguns estados, ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT); em outros, ao lado de Flávio Bolsonaro (PL).
Sem se amarrar a um candidato ao Planalto, o objetivo é eleger o máximo de senadores, deputados federais e governadores, mantendo as portas abertas para negociar com quem quer que seja o vencedor da disputa presidencial.
Emendas parlamentares e controle do orçamento redefinem o poder
Com o avanço das emendas parlamentares e o controle crescente do Legislativo sobre o orçamento federal, muitas lideranças partidárias já não enxergam a Presidência como o único caminho para acumular poder.
O diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, destacou um episódio emblemático ocorrido em abril de 2025: o líder do União Brasil na Câmara, Pedro Lucas (União Brasil-MA), foi convidado para ocupar o Ministério das Comunicações, mas recusou a oferta, preferindo permanecer à frente da bancada.
