Da lista de projetos de infraestrutura chinesa, um dos mais ambiciosos é a Grande Muralha Solar, um corredor de painéis solares com 400 km de extensão que o país vem construindo no deserto de Kubuqi, na região da Mongólia Interior, no noroeste da China. O projeto foi iniciado em 2019 a partir da usina de Junma, um complexo com mais de 196 mil painéis fotovoltaicos, e começou sua expansão ao longo do terreno árido do norte chinês em 2022.
O objetivo é concluir o projeto em 2030, quando atingirá sua extensão máxima e terá uma capacidade instalada de 60 GW (gigawatts), mais do que 4 vezes a capacidade da Usina de Itaipu, a maior hidrelétrica do Brasil. Ao todo, serão mais de 3 milhões de painéis solares. O governo chinês não informou o valor total do empreendimento. O site Eurasia Business News estima o custo total em aproximadamente US$ 100 bilhões.
No 1º semestre deste ano, a Grande Muralha Solar já conta com uma capacidade instalada superior a 27 GW. O projeto fica distante dos grandes centros urbanos chineses. A maior cidade da Mongólia Interior é Hohhot, que possui “só” 2,9 milhões de habitantes -um número pequeno em comparação às metrópoles do país. Por isso, a ideia é que a maior parte da energia produzida pela Grande Muralha Solar seja escoada para a região de Hebei-Pequim-Tianjin, a cerca de 500 km do deserto.
O desafio para este projeto de escalas faraônicas é justamente o reforço da rede de transmissão do país.
