O mundo tem cobre suficiente para eletrificar suas cidades, lítio para alimentar frotas inteiras de carros elétricos e terras-raras para equipar turbinas eólicas e sistemas de defesa por gerações. O problema é que boa parte desse minério continuará no subsolo por uma razão surpreendentemente prosaica: não há capital suficiente disposto a tirá-lo de lá.
É essa a conclusão central de um novo relatório publicado em maio de 2026 pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), em colaboração com o Centro de Política Energética Global da Universidade Columbia. O documento, intitulado “Making Critical Minerals Bankable: Policy Tools to Unlock Investment”, lança luz sobre um paradoxo que governo e indústria têm demorado a encarar de frente. A escassez que ameaça a transição energética não é geológica, é financeira.
O cobre é o exemplo mais eloquente. Apesar de a Agência Internacional de Energia (AIE) projetar um déficit de oferta de 30% até 2035, os investimentos necessários para fechar essa lacuna simplesmente não estão chegando. Segundo o relatório, há uma diferença de US$ 250 bilhões entre o capital necessário e o comprometido até 2030. O crescimento dos investimentos no setor, que chegou a 14% em 2023, desacelerou para apenas 5% em 2024.
Não é que os investidores desconheçam a oportunidade.
