Apesar da escalada na crise diplomática com a Argentina, o governo brasileiro está convencido de que novos líderes de direita na América do Sul vão seguir uma cartilha de relações pragmáticas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e não têm interesse em emular a postura de enfrentamento ao petista adotada por Javier Milei.
Um dos exemplos citados no Itamaraty foi o depoimento da presidente recém-empossada do Peru, Keiko Fujimori, em um encontro com embaixadores latino-americanos ainda durante a campanha eleitoral.
Na reunião, segundo relatos feitos à CNN, Keiko reconheceu diferenças ideológicas com o petista, mas disse que Lula era o único líder na América do Sul capaz de unir a região.
Sinais de diálogo e pragmatismo também foram enviados, segundo a diplomacia brasileira, pelo colombiano Abelardo de la Espriella, que se inspira no salvadorenho Nayib Bukele, uma das principais referências da direita na América Latina, com um discurso de tolerância zero na segurança pública e de defesa radical da liberdade de expressão.
No fim de junho, ao vencer as eleições presidenciais na Colômbia e receber um cumprimento oficial de Lula, Espriella respondeu ao petista no X (antigo Twitter): “O continente americano enfrenta problemas comuns de natureza transnacional, que só podem ser superados por meio de um trabalho conjunto, respeitoso e soberano”.
