A imprevisibilidade provocada pela falta de harmonia regulatória, somada à lentidão do licenciamento ambiental e às incertezas relacionadas ao financiamento, prejudica o desenvolvimento de plantas de biometano. O diagnóstico é do GRI Institute, instituição especializada em infraestrutura.
Segundo estimativas reunidas pela entidade, o Brasil aproveita atualmente cerca de 1% de seu potencial de produção de biometano, um combustível renovável que pode ser obtido, por exemplo, nas cadeias produtivas do agronegócio e nos sistemas de saneamento.
O GRI chama atenção para um levantamento da Abiogás (Associação Brasileira do Biogás e do Biometano), que aponta que o país possui potencial teórico para produzir 120 milhões de Nm³ de biometano por dia, potencial que seria suficiente para suprir 32% da demanda de energia elétrica do país, caso o combustível fosse destinado à geração termelétrica, ou aproximadamente 62% do consumo nacional de diesel. A capacidade instalada nacional, no entanto, gira em torno de 1,2 milhão de Nm³ por dia.
Em entrevista à CNN Brasil, Moisés Cona, managing director do GRI Infrastructure, sintetiza o problema da participação pouco expressiva do biometano na matriz energética como resultado de um ambiente pouco previsível.
“Eu resumiria assim: não é a regulação, é a previsibilidade. […] Não somente no sentido regulatório, mas também em processos como o próprio licenciamento ambiental e na financiabilidade dos projetos”, complementa.
