Partidos políticos considerados de centro optaram por não lançar nenhuma candidatura à Presidência nas eleições de 2026. A estratégia, defendida publicamente por lideranças como Baleia Rossi, tem sido justificada como uma resposta à polarização política do país. Para a cientista política Lara Mesquita, professora da FGV-EESP, ao WW, no entanto, a lógica por trás dessa decisão é mais pragmática do que ideológica.
Estratégia do centrão: negociação acima de ideologia
Segundo Mesquita, o comportamento dos partidos de centro não representa uma novidade no cenário político brasileiro.
“Tem uma coisa que é comum de toda a democracia multipartidária. A gente tem essa geleia ideológica de partidos de centro que vão mais ou menos caminhando para aderir ao governo de plantão”, afirmou a especialista.
Para ela, ao abrirem mão de se comprometer com qualquer candidatura presidencial, esses partidos buscam preservar sua capacidade de negociação com o futuro governo eleito.
Mesquita explicou que a lógica descrita por Baleia Rossi é a de que, diante da polarização intensa, é mais vantajoso manter-se neutro eleitoralmente e concentrar esforços na construção de uma bancada parlamentar robusta.
“A gente não se compromete, investe mais em fazer uma bancada forte e tem melhores condições de negociar com o governo eleito, trazer a agenda para o centro ou trazer a agenda para os meus interesses”, resumiu a cientista política.
