Após três anos do início das Operações Escudo e Verão, um relatório do Instituto Vladimir Herzog divulgado nesta segunda-feira (27), aponta vingança seletiva e reúne diversos relatos de torturas e abusos. As ações foram realizadas pelas forças de segurança paulistas na Baixada Santista entre 2023 e 2024, como resposta ao crime organizado após a morte de policiais militares.
Ao todo, as operações deixaram 84 pessoas mortas. Entre os casos elucidados pelo documento estão o de Leonel Andrade Santos, deficiente físico que utilizava muletas. Ele foi executado em fevereiro de 2024 na frente do filho.
Meses depois, em novembro, o filho de Leonel, Ryan da Silva Andrade de 4 anos, também morreu após ser atingido por disparos da Polícia Militar enquanto brincava em frente à residência da família.
Outro caso citado é o de Hildebrando Simão Neto, de 24 anos, que tinha deficiência visual grave. Segundo o relatório, ele foi morto dentro de casa por policiais da Rota, após ter sua casa invadida sem mandado judicial e por militares sem câmeras corporais.
O estudo também relata o caso de Cleiton Barbosa Moura. Segundo testemunhas, durante as operações, policiais militares desceram das viaturas e encontraram o homem na porta de casa segurando seu bebê. Ele teve a criança retirada de seus braços e entregue a um de seus filhos mais velhos. A vítima foi levada por policiais até um beco, onde a execução foi realizada.
