Pouca gente que me conhece hoje sabe que, durante a faculdade, trabalhei como garçom em festas. Também fui professor de cursinho e cheguei a carregar e montar equipamentos de eventos. Meu primeiro emprego com carteira assinada foi como gerente de fazenda, em Balsas. Depois veio a construção civil. Vieram as empresas, os erros, os acertos e tudo o que fui aprendendo pelo caminho.
Nunca existiu um plano capaz de prever essa trajetória. Mas, olhando para trás, percebo que uma pergunta esteve presente em quase todas as mudanças importantes da minha vida.
Por quê?
Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes que alguém pode fazer a si mesmo. Porque ninguém sustenta uma caminhada longa sem um motivo forte o suficiente para continuar quando fica difícil. E sempre fica difícil.
Passei anos observando uma coisa que me incomoda. As pessoas não são ensinadas a lidar com dinheiro. Não na escola, não em casa, não em lugar nenhum. Aprendem a trabalhar, aprendem a ganhar e depois ficam sozinhas diante da parte mais difícil: o que fazer com o que ganharam.
E aí acontece o que sempre acontece. Gente que trabalhou a vida inteira perde o que juntou em uma decisão ruim. Gente boa confunde investimento com aposta. Gente que poderia estar construindo patrimônio passa décadas apenas passando pelo dinheiro, sem que ele fique.
Não é falta de inteligência. Muitas vezes, é falta de acesso ao conhecimento que sempre pareceu reservado a poucos.
