O setor de construção civil e infraestrutura é hoje o maior consumidor de recursos naturais do planeta. Segundo o mais recente Relatório Global sobre Edificações e Construção, publicado pela ONU Meio Ambiente (UNEP) em parceria com a Global Alliance for Buildings and Construction, o setor responde por cerca de 37% das emissões globais de CO₂ e por quase metade de toda a extração mundial de recursos naturais. Nenhum outro segmento da economia movimenta tanto material para sustentar seu próprio crescimento.
o Brasil, esse cenário ganha um caráter particularmente urgente. O país encerrou 2024 com o menor déficit habitacional da série histórica, ainda próximo de 6 milhões de domicílios, segundo a Fundação João Pinheiro. O avanço é relevante, mas evidencia que a demanda por novas moradias continua enorme e exigirá um volume expressivo de novas construções nos próximos anos. O desafio é que essa expansão ocorrerá justamente em um momento em que o modelo tradicional de exploração de matérias primas virgens se torna mais caro, ambientalmente insustentável e logisticamente mais vulnerável.
Insumo caro, insumo ausente: um problema estrutural.
Os dados mostram que o problema vai muito além de uma percepção de mercado. A indisponibilidade de insumos e a forte variação de preços entre as regiões brasileiras são consequências diretas da concentração industrial e da dependência de longas cadeias logísticas.
