O BC (Banco Central) alertou para uma piora no cenário de inflação na ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). A autarquia aponta o cenário externo, os estímulos ao consumo e a falta de contenção fiscal como fatores que pesam contra o combate à inflação, além de destacar a diferença entre as expectativas do mercado e as do governo.
Apesar de ter decidido cortar a Selic em 0,25 ponto percentual na reunião mais recente, o Copom condicionou novas reduções dos juros a uma melhora nas projeções de inflação, perspectiva que, segundo os diretores da autarquia, não está no horizonte. O cenário para os preços piorou tanto para o ano corrente quanto para 2027 e 2028.
Riscos externos e internos
O Banco Central elenca a guerra no Oriente Médio, o El Niño e a desancoragem das expectativas entre os principais riscos externos. No âmbito doméstico, a autarquia cita a perda de energia no esforço de reformas estruturais de disciplina fiscal, o aumento do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública como fatores negativos.
Desde o início do ano, o governo já injetou quase R$ 190 bilhões em programas, subsídios e reforços orçamentários.
No debate sobre a expansão fiscal, a pesquisadora da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e consultora econômica Tatiana Pinheiro destacou que o gasto tributário total orçado para o ano é da ordem de R$ 650 bilhões, sendo o Simples Nacional a maior subvenção dentro desse montante.
