Uma expressão provocativa começou a circular recentemente entre profissionais de tecnologia: meat proxy. O termo descreve a pessoa que recebe uma pergunta, leva essa pergunta a uma inteligência artificial e simplesmente encaminha a resposta produzida pela máquina, sem necessariamente ler com atenção, compreender o raciocínio ou validar o resultado. Em outras palavras, o ser humano permanece formalmente dentro do fluxo de trabalho, mas sua contribuição intelectual praticamente desaparece.
A expressão pode soar como mais uma provocação típica da internet, mas toca em uma questão muito mais profunda sobre a forma como estamos incorporando inteligência artificial ao trabalho. Durante os últimos anos, nos preocupamos bastante com a possibilidade de máquinas assumirem atividades antes realizadas por pessoas. Talvez exista agora uma questão anterior a essa: o que acontece quando continuamos ocupando nossos cargos, participando das reuniões, respondendo aos e-mails e entregando nossas tarefas, mas progressivamente terceirizamos à máquina aquilo que deveria ser nossa contribuição intelectual?
Não vejo tanto mérito em preservar tarefas repetitivas apenas para garantir que continuem sendo executadas por seres humanos. Se uma inteligência artificial consegue organizar milhares de informações, produzir uma primeira versão de um documento ou identificar padrões em segundos, devemos aproveitar essa capacidade.
