O jornalismo esportivo perdeu o mais elegante de seus ícones. Nem tente me convencer que tenha havido um profissional mais classudo que Claudio Carsughi, morto aos 93 anos nesta quinta-feira, 10. É provável, aliás, que o próprio achasse obituários em primeira pessoa, jocosamente tratados como “eubituários” ou “eumenagens”, algo de mau gosto, mas me senti quase na obrigação de arriscar. Até porque, definitivamente, este texto não é sobre mim, mas sobre aquele senhor de sotaque marcante e um adorável sorriso que aceitou tomar um café com um fedelho desconhecido em sua terra natal.
Não conheci Carsughi na intimidade, pelo contrário, tivemos apenas duas interações, uma virtual e outra em carne e osso. Foi, no entanto, um encontro transformador, sem exageros, ainda que os 15 anos passados tenham roubado de minha memória boa parte dos detalhes. Por sorte as mensagens escritas ficaram registradas em um e-mail antigo, que consegui reler após uma batalha de recuperação de senhas. Corria o ano de 2011, mais especificamente as 15h44 do dia 8 de julho, quando lhe contei despretensiosamente sobre minha situação, a de um jornalista recém-formado, sem grandes experiências na área, animado com a iminência de viajar a Florença para estudar italiano.
