Durante a Bienal do Livro de São Paulo, no estande da Editora Fruto Proibido, especializada em dark romance, um homem mascarado de Ghostface beijou jovens, simulou tapas, enforcamentos e poses eróticas.
Cenas como essas nos obrigam a perguntar quais devem ser os limites comportamentais de uma sociedade.
Na verdade, o episódio ocorrido na Bienal é um sintoma claro da putrefação da sociedade brasileira, em que a naturalização da violência e a banalização do sexo se tornaram entretenimento.
Quando um estande literário se transforma em cenário para simulações de enforcamento e abordagens sensuais, o limite entre ficção e realidade se torna indistinto e produz, sobretudo na juventude, malefícios significativos.
Se não bastasse isso, a normalização da erotização e da violência como formas de entretenimento contribui de modo decisivo para a desconstrução de valores que deveriam ser inegociáveis.
Definitivamente, vivemos em um tempo no qual práticas desse naipe não apenas desconstroem a dignidade do ser humano, mas também relativizam o que jamais deveria ser relativizado.
A questão é: a sociedade perdeu o freio ao descobrir que o pecado vende, que a sensualidade atrai e que a iniquidade produz engajamento.
Uma feira de livros deveria ser, em princípio, um espaço cultural no qual famílias, em contato com livros, fossem expostas à boa literatura, e não a episódios como esse.
