O agronegócio brasileiro enfrenta maior pressão sobre o crédito, com juros elevados, acesso restrito ao financiamento e alta no número de recuperações judiciais.
Durante o Bradesco BBI Agro Summit 2026, realizado nesta quinta-feira (10) em São Paulo, o ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi disse que crédito é essencial para a atividade agropecuária e a combinação entre custo elevado do dinheiro e aperto nas garantias pode deixar justamente os produtores mais vulneráveis fora do mercado de financiamento.
“Até hoje é assim: o crédito é a mola de todo o nosso negócio”, afirmou.
Na avaliação do ex-ministro, o cenário atual é resultado, em parte, do desequilíbrio das contas públicas e dos juros elevados. Para ele, o governo gastar mais do que arrecada aumenta a necessidade de financiamento e contribui para manter as taxas de juros em patamares elevados: “os juros altos que nós temos hoje não são bons para o agronegócio, não são bons para ninguém”, disse.
Maggi traçou um retrato da situação financeira dos produtores, especialmente no Centro-Oeste, no Norte e no Matopiba.
Segundo ele, atualmente seria possível dividir os agricultores dessas regiões em três grupos: cerca de um terço enfrenta dificuldades financeiras mais severas, outro terço deve conseguir atravessar o período e um terceiro grupo apresenta situação financeira confortável.
A diferença, segundo o ex-ministro, está principalmente no nível de investimentos e endividamento acumulado.
