O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, afirmou em delação premiada fechada com a Procuradoria Geral da República que fundos administrados pela gestora foram usados para ocultar o pagamento de propinas de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, a autoridades públicas.
Segundo o jornalista José Marques, da Folha de S.Paulo, Mansur detalhou a participação da Reag e de fundos de investimento nas operações e identificou pessoas que teriam atuado como laranjas de Vorcaro. A colaboração também traz informações sobre a movimentação dos recursos, valores enviados ao exterior e caminhos para a recuperação do dinheiro.
Parte dos recursos investigados estaria em offshores fora do Brasil. Com a colaboração, investigadores avaliam que esses valores poderão ser devolvidos ao país sem a necessidade de alguns dos acordos com autoridades estrangeiras exigidos normalmente para a recuperação de ativos. Mansur também se comprometeu a pagar multa de R$ 40 milhões.
O acordo foi enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator das investigações sobre o Banco Master, e ainda precisa ser homologado. A Polícia Federal participou do início das negociações, mas não seguiu nas tratativas.
Mansur havia apresentado a proposta de colaboração à PGR em agosto. O documento reunia ao menos 17 temas e tinha Vorcaro como principal foco. Em 2 de setembro, a PGR assinou o acordo e o encaminhou a Mendonça.
