Quando se fala em depressão, quase sempre a atenção se concentra no ato extremo que a doença pode levar um paciente a cometer contra si mesmo. Mas talvez estejamos com o foco equivocado. Essa atitude pode ser compreendido como a manifestação extrema de um processo mental de autodestruição que, muitas vezes, começou antes. O que precisamos compreender - e tentar interromper - é o processo invisível que o antecede.
Atenção: essa publicação pode ter conteúdo sensível.
Como a mente transforma fatos em sofrimento
A mente humana não registra simplesmente a realidade: ela a interpreta. Um mesmo acontecimento pode adquirir significados completamente diferentes dependendo das experiências anteriores, das memórias e dos padrões que cada pessoa carrega. É nesse espaço entre o que aconteceu e aquilo que a mente construiu sobre o acontecimento que grande parte do sofrimento psíquico se desenvolve.
Uma perda, uma rejeição, um fracasso profissional, uma separação ou uma humilhação são acontecimentos reais. Mas a mente pode produzir, a partir deles, imagens muito mais devastadoras: “minha vida acabou”, “eu estraguei tudo”, “não tenho mais saída”, “nada vai melhorar”. Aos poucos, a pessoa deixa de sofrer apenas pelo que aconteceu e passa a sofrer também pelo cenário que a própria mente produz.
O estreitamento da realidade e a sensação de não haver saída
É aqui que começa um fenômeno perigoso: o estreitamento da realidade.
