Os fundos de investimento voltaram a registrar captação líquida positiva em agosto, com os cotistas aplicando R$ 33,9 bilhões, já descontados os resgates. Foi o primeiro mês de entrada de recursos depois de dois meses consecutivos de saídas.
O destaque ficou com a renda fixa, que captou R$ 47,2 bilhões após quatro meses seguidos de resgates.
Para Christopher Galvão, sócio e analista da Nord Investimentos, o movimento precisa ser analisado à luz da dinâmica dos últimos anos.
Segundo ele, os fundos de crédito privado captaram de forma muito intensa em um ambiente de juros elevados e de fechamento dos spreads de crédito.
“Os fundos começaram a render bem, bem acima do CDI, e com isso foi uma dinâmica que foi se retroalimentando”, explicou.
Cautela no mercado de crédito
Neste ano, porém, o cenário mudou. De acordo com Galvão, os fundos de crédito passaram a render de forma mais conservadora, e meses de estresse, como março e abril, aumentaram a percepção de risco dos investidores diante de casos envolvendo empresas mais alavancadas.
“Os investidores que renderam muito bem nos últimos anos agora estão rendendo de uma forma mais conservadora”, afirmou.
Para o analista, a retomada da captação em agosto não deve se consolidar como uma tendência estrutural.
“A gente tem uma visão um pouco cautelosa ainda para o cenário de crédito, que pode continuar apresentando certas volatilidades ao longo dos próximos trimestres em meio a esses juros muito elevados”, disse.
