A homologação da delação premiada de Antonio Carlos Freire Júnior, conhecido como Mineiro, teve pouco impacto, até agora, na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.
Sem alarde, o tema já havia sido objeto de uma espécie de pré-apuração meses antes. Desde que o caso envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL), veio à tona, em maio, parte da equipe ligada à campanha foi aos Estados Unidos para analisar a estrutura do Havengate, fundo envolvido nas transferências e gerenciado pelo advogado Paulo Calixto.
O trabalho foi realizado em junho. A avaliação interna foi de que não havia irregularidades materiais nas transações analisadas. Mineiro disse ter realizado repasses de cerca de R$ 69 milhões ao Havengate, a pedido de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Segundo relatos de pessoas envolvidas na iniciativa, todos os recursos identificados no material foram transferidos pelo sistema bancário, com utilização do código Swift e sob supervisão do Coaf ( Conselho de Controle de Atividades Financeiras). Não foram encontrados, nessa análise, problemas materiais nas transferências ou inclusão de dinheiro sem registro.
É essa apuração prévia que ajuda a explicar a reação relativamente tranquila na campanha à homologação da delação de Mineiro.
Há, porém, uma ressalva. Delações premiadas costumam ter peso político próprio.
