Desenvolver um novo produto alimentício costuma exigir longos meses de testes. Atualmente, sistemas de inteligência artificial (IA) podem otimizar essa etapa ao cruzarem milhares de substâncias em segundos. Esses algoritmos auxiliam pesquisadores na descoberta de sabores inéditos, texturas aprimoradas e perfis nutricionais balanceados, encurtando drasticamente o ciclo de inovação da indústria.
Não é que o computador “invente” uma receita do nada. Os sistemas são alimentados com informações sobre ingredientes, composição química, propriedades nutricionais, sabor e textura. A partir desses dados, conseguem identificar relações e sugerir combinações que atendam a determinados objetivos. Um estudo publicado ano passado na revista npj Science of Food aponta que a IA pode ajudar a desenvolver alimentos simultaneamente nutritivos, saborosos e sustentáveis.
A tecnologia, no entanto, não é capaz de “sentir” o gosto das receitas que projeta. Conforme explica Manuela Dolinsky, presidente do Conselho Federal de Nutrição (CFN), os sistemas produzem estimativas com base em padrões identificados em grandes conjuntos de dados - como composição química, propriedades físico-químicas e avaliações sensoriais.
“A partir desses dados, os modelos calculam a probabilidade de determinada formulação apresentar características associadas à aceitação, como dulçor, amargor, umami, aroma, cremosidade, crocância ou suculência”, disse a presidente do CFN em entrevista ao Olhar Digital.
