Em 1578, o jovem rei Dom Sebastião I marchou em direção ao atual Marrocos em uma operação militar. A campanha foi um fracasso completo: o exército português sofreu uma dura derrota, o rei jamais regressou a Lisboa e Portugal mergulhou em uma grave crise sucessória. O auge desse processo aconteceu quando Filipe II, rei da Espanha, assumiu também o trono português, dando início à União Ibérica.
Como o corpo de Dom Sebastião jamais foi encontrado, em meio a uma população carente e desalentada, criou-se o mito do sebastianismo: a crença de que, em algum momento, o rei retornaria, retomaria o trono que era seu por direito e, nesse processo, devolveria a antiga glória a Portugal. A lenda persistiu ao longo dos séculos. No entanto, o rei jamais voltou. Há quem acredite que, ainda hoje, em 2026, Dom Sebastião retornará a Portugal…
Todo esse apanhado histórico serve de base de comparação para entender uma espécie de sebastianismo moderno no mercado futuro do boi gordo. Nesse caso, temos um único protagonista por trás de imensos quadros de volatilidade e de movimentos mais agressivos do que o habitual: a China.
No ano passado, antes da imposição oficial da medida de salvaguarda, o mercado especulou negativamente em diversas oportunidades. Mesmo contrariando os fundamentos, o mercado do boi gordo travou diante da expectativa pelo anúncio. Neste ano, com a medida em vigor, o contexto é diferente.
