Falar sobre a própria morte não costuma fazer parte das conversas familiares. Podemos discutir planos para o futuro, tratamentos que aceitaríamos diante de uma doença grave e até organizar questões financeiras para depois que não estivermos mais aqui, mas raramente nos sentamos à mesa para dizer algo muito simples: “Se um dia for possível, quero ser doador de órgãos”.
No Brasil, essa conversa tem uma importância especial. Não basta desejar ser doador. Pela legislação, a retirada de órgãos e tecidos após a morte depende da autorização da família. Mesmo que uma pessoa tenha manifestado claramente em vida a intenção de doar, seus órgãos não poderão ser retirados se os familiares não autorizarem. Por isso, talvez a atitude mais importante de quem deseja ser doador seja também a mais simples: contar essa decisão às pessoas próximas.
A questão ganha ainda mais relevância durante o Setembro Verde, mês de conscientização sobre a doação de órgãos, e em 27 de setembro, Dia Nacional da Doação de Órgãos. Dados apresentados pelo Ministério da Saúde mostram que a recusa familiar permanece próxima de 45% dos casos e continua sendo um dos principais obstáculos para aumentar o número de doadores no país.
O Brasil realiza um grande número de transplantes em termos absolutos, impulsionado também pelo tamanho de sua população e pela estrutura do Sistema Único de Saúde.
